quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O Amor

  Sabe, acho a musica O Amor, de autoria de Caetano Veloso e cantada por Gal Costa, uma das musicas mais lindas que já ouvir na minha breve existência. Fico imaginando que tipo de sentimento habita o ser humano em determinado momento para que dele possa brotar algo tão sublime e belo. Nesse exato momento, enquanto jogo na tela essas palavras, escuto, maravilhado, tal canção. Sempre que a ouço me sinto melhor,me sinto mais pleno e humano. É como um banho de beleza que cai sobre mim.
  Ah se eu pudesse mergulhar dentro dentro de uma canção e morar ali eternamente entre os acordes perfeitos. É tanta brutalidade e mesquinharia, que dá vontade, às vezes, de me parar e voltar àquele que me enviou. "Ela é tão bonita que na certa eles a ressuscitarão", embora o amor seja um substantivo abstrato masculino, aqui o poeta o coloca no feminino "Ela".
   É tanta gente nas ruas necessitando de um carinho, uma morada digna, um abrigo. Não sei o que se passa na cabeça de algumas pessoas agraciada pelo poder do dinheiro. Hoje fiquei sabendo que com o premio da mega-sena da virada, o novo magnata, caso coloque a grana em conta poupança, terá mensalmente algo em torno de 900.000 mil reais. Meu Deus, se a sorte batesse em minha porta, seria no minimo dez pessoas fora das ruas, mensalmente, só com os juros. Eu daria a casa toda mobiliada.
    Digo isso porque no ano passado, quando estava dando sopa com alguns parentes, vi uma senhora deitada ali na avenida sete de setembro, aqui em Salvador, ironicamente no circuito do carnaval, onde milhões são derramados,  e fiquei pensando, naquele momento, o que ela faz todos os dias com aquelas crianças. E nos dias de chuva? Será que o rico quando passa não se compadece por aquelas pessoas que estão ali, expostas? Se cada ricaço tirasse uma pessoa por mês, das ruas, seria algo tão esplendoroso, uma atitude tão nobre com tão pouco. Isso mesmo, com 50.000 daria para tirar uma família das ruas, dando dignidade. E acredito que de fato tal atitude nobre renderia algum ponto nos céus.


(Sobre um poema de Vladimir Maiakovski) 

Talvez quem sabe um dia Por uma alameda do zoológico 
Ela também chegará Ela que também amava os animais 
Entrará sorridente assim como está Na foto sobre a mesa 
Ela é tão bonita Ela é tão bonita que na certa eles a ressuscitarão 
O século trinta vencerá O coração destroçado já 
Pelas mesquinharias 
Agora vamos alcançar 
Tudo o que não podemos amar na vida 
Com o estelar das noites inumeráveis 
Ressuscita-me ainda que mais não seja 
Porque sou poeta E ansiava o futuro 
Ressuscita-me Lutando contra as misérias do cotidiano 
Ressuscita-me por isso 
Ressuscita-me Quero acabar de viver o que me cabe 
Minha vida para que não mais existam amores servis 
Ressuscita-me para que ninguém mais tenha de sacrificar-se 
por uma casa, um buraco 
Ressuscita-me Para que a partir de hoje 
A partir de hoje 
A família se transforme 
E o pai 
Seja pelo menos o Universo 
E a mãe 
Seja no mínimo a Terra 
A Terra 
A Terra

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